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O que são redes privativas?

Por Daniel Curi | 09.03.26
O que são redes privativas?

Na maioria das organizações, o acesso à Internet acontece por meio de um contrato de prestação de serviços com uma operadora. A empresa escolhe a banda larga, firma o acordo e pronto: basta usar. Porém, existem alguns segmentos que demandam mais flexibilidade e segurança. Educação, saúde, indústria e logística são alguns exemplos. Para esses setores, as redes privativas são a solução mais adequada.

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O que são e como funcionam as redes privativas?

As redes privativas são modos de conexão separados da Internet pública. O acesso à rede é restrito e mais seguro, além de permitir mais flexibilidade no uso e desenvolvimento de diferentes aplicações. Ainda, elas oferecem não só mais segurança, uma vez que reduzem a exposição a ameaças externas, como também a criptografia adiciona mais uma camada contra invasões.

Esse acesso privado pode acontecer de três maneiras:

  • VPN (Virtual Private Network): atua enquanto um “túnel privado” que conecta o dispositivo a um servidor remoto. Isso ocorre de modo seguro e criptografado, além de “mascarar” a localização e o endereço de IP (Internet Protocol) do dispositivo.
  • LAN to LAN (Local Area Network): trata de uma conexão de rede privada que faz a ligação entre duas ou mais redes locais, criando um ambiente único e seguro para o compartilhamento de dados.
  • 4G/5G: as redes móveis também podem ser privativas. Assim como as anteriores, elas ofertam baixa latência, alto desempenho, privacidade e segurança.

Quem são as empresas que demandam redes privativas?

De fato, não são todos os negócios que necessitam de redes privativas. Até porque não dá para negar que elas costumam ser bastante caras. No caso das redes 5G, por exemplo, a empresa precisa instalar antenas de transmissão a fim de cobrir toda a área. 

O uso de redes privativas é especialmente importante em segmentos que buscam liberdade para desenvolvimento de aplicações próprias ou para soluções específicas. Na indústria, elas podem ser usadas para automação das operações e permitirem o uso de IoT. Enquanto isso, no agronegócio, auxiliam o produtor na coleta de dados.

Ilustração dos principais setores que usam redes privativas. Utilities, energia, indústria, saúde, logística e gestão de frota

Além dessas, empresas com múltiplas filiais conseguem recorrer às redes privativas para conseguir uma conexão melhor, mais ágil e mais segura. Embora a indústria (29%) e o agronegócio (16%) se destaquem quanto ao uso dessas redes, óleo e gás (10%), ferrovias (5%) e portos (5%) também colocam nosso país à frente da média mundial. 

Em resumo, as redes privativas são ideais às empresas que necessitam de conexão rápida, segura e flexível.

Quais as regras que a Anatel impõe às redes privativas?

Embora sejam particulares, as redes privativas devem seguir as normas da Anatel, tal qual qualquer serviço de telecomunicações. Porém, como não se trata de Internet pública, estão associadas ao Serviço Limitado Privado (SLP). Para entender do que se trata, a Resolução nº 777, de 28 de abril de 2025 esclarece:

Art. 23. O SLP é o serviço de telecomunicações de interesse restrito, prestado no regime privado, destinado ao uso próprio do executante ou prestado a determinados grupos de usuários selecionados pela prestadora mediante critérios por ela estabelecidos, e que possibilita a comunicação a partir de Estações Fixas ou Móveis para múltiplas aplicações, dentre elas comunicação de dados, de sinais de vídeo e áudio, de voz e de texto, bem como captação e transmissão de Dados Científicos relacionados a Auxílio à Meteorologia, Exploração da Terra por Satélite, Meteorologia por Satélite, Operação Espacial e Pesquisa Espacial.

As redes privativas utilizam, tipicamente, as seguintes faixas de radiofrequência destinadas ao Serviço Limitado Privado:

  • 148 MHz a 174 MHz;
  • 360 – 380 MHz;
  • 380 – 400 MHz;
  • 410 – 415 MHz / 420 – 425 MHz (banda 87 do 3PGG);
  • 452,5 – 457,5 MHz / 462,5 – 467,5 MHz (banda 31 do 3GPP);
  • 458 – 460 MHz / 468 – 470 MHz;
  • 806 – 809 MHz / 851 – 854 MHz;
  • 2.390 – 2.400 MHz (banda 40 do 3GPP);
  • 2.485 – 2.495 MHz (banda 53 do 3GPP);
  • 3.700 – 3.800 MHz (banda n78 do 3GPP); e
  • 27,5 – 27,9 GHz (banda n261 do 3GPP).

Com objetivo de operar nas faixas detalhadas, a empresa deve obter a outorga para prestação do serviço. Bem como a autorização de uso de radiofrequências e o licenciamento das estações.

Conheça alguns cases premiados de redes privativas

O uso de redes privativas tem papel fundamental no desenvolvimento industrial e tecnológico do país. Tanto que a Anatel, junto à Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), premia os cases mais significativos nessa área.

A última edição, que ocorreu em 2024, premiou 12 projetos nas categorias Agro, Indústria, Utilities (mineração, óleo e gás) e Outros Setores (que engloba Saúde, Educação, Pesquisa e Logística). Confira, abaixo, algumas das iniciativas vencedoras do Prêmio ABDI ANATEL de Redes Privativas.

Projeto 5G5M – Conectividade em 5 minutos ― Senai São Paulo

Um dos inscritos mais bem avaliados na categoria Indústria, está em operação desde agosto de 2023. O Senai colocou a iniciativa em prática para viabilizar operações não apenas próprias, mas também para que empresas façam testes com a rede 5G. Ou seja, aqueles que pensam em adotar redes privativas são capazes de validar a implementação por meio de testes do Projeto 5G5M.

Projeto Nova Era da Conectividade no Brasil ― ISPS do Brasil (Tá Telecom)

Com foco na inclusão digital de áreas com baixa densidade populacional, este projeto mostra como as redes privativas não se restringem à iniciativa privada. A partir de parcerias com provedores regionais, autoridades locais, fornecedores e integradores, a Tá Telecom leva Internet 4G a locais, até então, desconectados. O projeto foi uma das redes vencedoras da categoria Agro.

Porto de Suape – Controle do Pátio de Veículos ― Claro Brasil

Este projeto utiliza da rede 5G para controlar um sistema baseado em Inteligência Artificial que, com baixíssima latência e alta precisão, detalha a localização exata de cada carro importado ou exportado no pátio de veículos. Igualmente monitora, por meio de câmeras inteligentes, o horário de entrada e de saída e a localização de cada unidade. Essas tecnologias permitem que as unidades sejam facilmente rastreadas.

De acordo com o site do Prêmio, atualmente, 1.945 estações de 5G atendem redes privativas. A Anatel e a ABDI também estimam que, até 2027, 1,56 mi delas serão dedicadas a esse propósito.

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FAQ (Perguntas frequentes)

Redes privativas são infraestruturas de telecomunicações exclusivas, separadas da Internet pública, que oferecem conexão mais segura, controlada e personalizada para empresas e instituições.

Elas operam com acesso restrito e podem utilizar tecnologias como VPN, LAN to LAN e redes móveis 4G ou 5G. O objetivo é garantir mais segurança, baixa latência e maior controle sobre o tráfego de dados.

Sim. Embora sejam redes de uso restrito, elas devem seguir as normas da Anatel e estão associadas ao Serviço Limitado Privado (SLP).

O investimento pode ser elevado, especialmente em projetos 5G, que exigem instalação de antenas e infraestrutura própria. No entanto, o custo pode ser compensado pelos ganhos em eficiência, segurança e produtividade.

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Daniel Curi


Especialista em gestão de Telecom e TI com mais de 10 anos de experiência no setor. Tenho liderado inúmeros projetos voltados a automações nessa área, otimizando processos, trazendo eficiência operacional e ganho de tempo, permitindo que as equipes se concentrem nas atividades estratégicas da organização.

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