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12 tendências de telecom e TI para 2022

Por Ulysses Dutra | 10.12.21
Tendências de telecom e TI para 2022

Confira as principais tendências de telecom e TI para 2022 e seus impactos na transformação digital e no impulsionamento dos negócios nos próximos anos

Com a pandemia do coronavírus completando quase dois anos, as tendências de telecom e TI para 2022 reforçam um fato incontestável e que se torna mais claro a cada dia: investir na transformação digital não é mais uma opção, mas uma questão de sobrevivência para empresas de todos os tipos e tamanhos.

Nesse período, o distanciamento social e a ampliação do trabalho remoto trouxeram novos desafios para a competitividade e continuidade dos negócios. As empresas que os enfrentaram com sucesso, foram aquelas que focaram em estratégias ágeis para a digitalização de processos, produtos e serviços, como foco na integração e colaboração entre as equipes, bem como na melhoria da experiência do cliente.

Dessa forma, os setores de telecom e TI ganharam ainda mais destaque. Além disso, o papel do CTOs se transformou e tornou-se fundamental para garantir que as empresas tomem as melhores decisões, com base técnica, para crescer e escalar rapidamente e de forma sustentável.

Tendências de uso de telecom e TI para 2022

No Brasil, esses impactos foram revelados pela 32º Pesquisa Anual do Uso de TI, realizada pela FGV, que mostra como, em pouco tempo, a pandemia causou um avanço no uso de telecom e TI que em condições normais levaria anos para acontecer.

Segundo o estudo, o país deve ultrapassar a marca de 200 milhões de computadores em uso ainda este ano, o que representa cerca de 9,4 máquinas para cada 10 habitantes.

Esse índice (94%) coloca o país atrás dos Estados Unidos (169%), porém bem acima da média mundial (82%), mostrando que estamos bem avançados na implementação de ferramentas e soluções digitais, mas que ainda há muito espaço para crescer. E é o que está acontecendo.

Infográfico mostra o número de computadores em uso no Brasil
Infográfico: computadores em uso no Brasil
Infográfico mostra a relação de computadores em uso versus nº de habitantes no Brasil, Estados Unidos e a média mundial
Infográfico: relação computadores em uso versus nº de habitantes

A pesquisa mostra que em 1992 as empresas brasileiras gastavam em média cerca de 2% da sua receita com investimentos em tecnologia. Hoje esse índice aumentou para 8,2% e espera-se que em poucos anos atinja os 9%.

Alguns setores se destacam com investimentos bem acima dessa média, como bancos e serviços, com 16% e 11,7%, respectivamente. Lá atrás estão a indústria, que aparece com 4,8%, e o comércio, que investe somente 3,9% em ferramentas e serviços digitais.

O estudo da FGV mostra ainda que, com o avanço da digitalização no Brasil, entre 2022 e 2023, o país deve atingir a proporção de um computador por habitante. A expectativa é que o país alcance os 216 milhões de dispositivos em uso, o mesmo número de habitantes que a população brasileira deve atingir no mesmo período.

Leia mais: O que é Tecnologia da Informação (TI)?

12 tendências de telecom e TI para 2022

Para o chamado “novo normal”, espera-se que uma boa parte da força de trabalho continue operando em home office, já que o modelo provou que é capaz de manter a produtividade e eficiência, enquanto outros funcionários devem voltar ao escritório.

Esse modelo híbrido exige tecnologias que permitam uma maior integração e que facilitem a colaboração entre as equipes e gestores.

Isso se reflete nas principais tendências de consumo e inovação em telecom e TI que vão acelerar a transformação digital e os negócios em 2022 – e nos próximos anos.

​1) Chegada do 5G no Brasil

Após o leilão realizado em novembro de 2021, as operadoras têm até 31 de julho de 2022 para implantarem o 5G no Brasil, começando pelas 26 capitais brasileiras e o Distrito Federal, segundo as regras estipuladas pela Anatel. Portanto, em 2022 vamos testemunhar a chegada dessa nova tecnologia de conexão móvel, que vai revolucionar o setor de telecom e TI com sua alta velocidade, maior qualidade e menor tempo de resposta.

Um estudo da IDC Brasil calcula que o 5G deve gerar 2,7 bilhões de dólares em novos negócios ligados à inovação até o ano que vem, acelerando uma série de tendências como a Cloud Computing, Internet das Coisas (IoT) e a Inteligência Artificial (IA).

Na prática, os primeiros impactos do 5G devem ser sentidos nas videochamadas mais nítidas, nas transmissões de vídeos ao vivo, nos jogos online e na estabilidade de conexão. Ou seja, vai ser mais raro alguém perder o sinal, mesmo no meio de uma multidão.

Tabela mostra as principais diferenças entre a 4G e 5G. A chegada da 5G no Brasil é uma das tendências de telecom e TI para 2022
Tabela: as diferenças entre a 4G e 5G

Mas os impactos do 5G vão muito além disso, afinal a chegada dessa tecnologia no Brasil vai criar novas oportunidades de negócio nos mais diversos setores. De veículos autônomos, indústria 4.0, cidades inteligentes e telemedicina, ao lazer, segurança pública e educação.

Com a baixa latência, velocidade e qualidade do 5G, as cirurgias remotas e os carros autônomos circulando pelas cidades vão se tornar cada vez mais comuns, por exemplo.

Isso tudo significa que, com a chegada do 5G em 2022, os setores de telecom e TI vão atravessar uma das maiores revoluções da sua história, com o surgimento de inúmeras soluções disruptivas e inovadoras que vão colocá-los no centro da transformação digital.

Leia mais: Os impactos da tecnologia 5G no setor de telecom e TI

2) Videoconferências

O investimento em ferramentas para virtualizar e digitalizar os espaços de trabalho foram fundamentais para a manter a eficiência e produtividade com o crescimento do home office durante a pandemia.

De acordo com o estudo da FGV, entre os softwares mais utilizados, a categoria de colaboração e videoconferência foi a que mais cresceu no último ano e segue em ascensão.

O levantamento mostra que o Zoom liderou esse crescimento nas videoconferências, com cerca de 40% de participação nas empresas. Em seguida vem o Microsoft Teams (32%), Google Meet (18%) e outros recursos como Cisco Webex e IBM Lotus, entre outros (10%).

3) Novos sistemas integrados de gestão (ERP)

Há muito tempo que o ERP, ou sistema de gestão integrado, é utilizado para integrar setores e facilitar o trabalho nas empresas. Isso porque ele centraliza dados e informações, para tornar a comunicação mais fluida e permitir aos gestores fazer diagnósticos mais rápidos e tomar as medidas certas para reduzir custos e aumentar a produtividade.

Mas com a transformação digital, o nível de exigência em relação à agilidade, flexibilidade e eficiência nos negócios subiu consideravelmente.

Dessa forma, surge um novo modelo de ERP que integra várias tecnologias para oferecer um panorama completo das operações, com mais eficácia e mobilidade, o que permite fazer a gestão de negócios de qualquer lugar.

Por essa razão, o ERP vive um novo ciclo de desenvolvimento e voltou a subir na prioridade dos investimentos em TI. Segundo um estudo, no curto prazo a tendência é que as empresas passem a investir boa parte dos seus recursos na substituição, renovação ou reimplantação do seu ERP.

Essa é uma das mais importantes tendências de telecom e TI para o ano que vem, já que os novos tempos vão exigir mais investimento em soluções adaptadas para o “phygital”, ou seja, a integração entre o mundo físico e o mundo digital, o que é favorecido pela implementação de novos sistemas integrados de gestão, que passam a ocupar o centro da transformação digital.

4) Data Fabric ou Malha de Dados

Os dados nunca tiveram tanta importância como hoje. Porém, muitas vezes eles permanecem isolados dentro de aplicativos e silos de informação, o que significa que não estão sendo usados da forma mais eficiente e lucrativa possível para os negócios.

Por isso, uma tendência importante para os próximos anos é a Data Fabric, ou Malha de Dados, que é um modelo de gerenciamento que integra dados entre todas as plataformas e usuários, disponibilizando-os em todos os lugares em que são necessários, independente de onde estejam armazenados.

Dessa forma, com uma Malha de Dados é possível acessar dados confiáveis ​​com mais rapidez para utilizar em modelos de Machine Learning, aplicativos, análises, Inteligência Artificial e automação de processos de negócios, que aprimoram a tomada de decisões e impulsionam a transformação digital.

Com isso, as equipes de TI conseguem simplificar consideravelmente a gestão de dados em um cenário cada vez mais complexo, com a chegada de novas tecnologias de 5G e Internet das Coisas, entre outras, além de reduzir custos para a operação e os riscos para a segurança da informação.

Por esse motivo, segundo relatório da consultoria Gartner, até 2024 as implantações de Data Fabric devem quadruplicar a eficiência das empresas na utilização de dados, ao mesmo tempo em que vão diminuir as tarefas de gerenciamento de dados pela metade.

Entenda como funciona:

A Gartner cita o caso de Turku, uma cidade na Finlândia onde um modelo de gestão Data Fabric foi empregado para organizar e criar uma estrutura de dados monetizável para ajudar as cidades e organizações a aumentar o valor de seus dados e acelerar a transformação digital. O objetivo principal da plataforma Turku City Data é “preencher a lacuna entre os dados fragmentados e as necessidades de serviços melhores e mais sustentáveis ​​para os cidadãos”.

5) Cibersecurity Mesh ou Malha de Segurança Cibernética

Outra tendência destacada pelo estudo, a Cibersecurity Mesh garante que as empresas respondam com mais eficiência as ameaças que surgiram para a segurança digital devido ao aumento do trabalho remoto na pandemia.

A Cibersecurity Mesh permite integrar diversas soluções diferentes, melhorando a segurança geral, por meio de um controle escalável, flexível e confiável.

Isso porque, com uma Cibersecurity Mesh é possível criar e implementar uma infraestrutura de segurança criando perímetros individuais em cada ponto de acesso, ao invés de se concentrar em um único perímetro ao redor de todos os dispositivos ou nós de rede.

Assim, a gestão de TI pode verificar com rapidez e precisão, a identidade, contexto e aderência às políticas de proteção de dados, mantendo e rastreando diferentes níveis de acesso para cada parte de uma determinada rede, garantindo mais flexibilidade e segurança, seja em um ambiente de nuvem ou em data centers locais.

Afinal, como os dados e ativos digitais são distribuídos na nuvem e nos data centers, uma abordagem de segurança tradicional e fragmentada apresenta grandes riscos pois possui muito mais pontos vulneráveis a ataques e vazamentos.

Por essa razão, prevê-se que até 2024 as organizações que adotarem uma Cibersecurity Mesh para integrar seu arsenal de ferramentas de segurança vão reduzir o impacto financeiro de incidentes de segurança individuais em uma média de 90%.

Leia mais: Segurança digital: qual a importância para as empresas

6) Privacy-Enhancing Computation (PEC)

O Gartner estima que em 2025, 60% das grandes organizações usarão uma ou mais técnicas de Privacy-Enhancing Computation – ou computação confidencial – para aumentar a privacidade em Analytics, Business Intelligence (BI) ou computação em nuvem.

A Privacy-Enhancing Computation é composta por técnicas de proteção à privacidade que permitem gerar valor por meio de dados e ao mesmo tempo manter a conformidade com políticas de segurança da informação e legislações como a LGPD.

Seu poder está na capacidade de permitir o compartilhamento de dados entre diversos ecossistemas para que sejam utilizados em modelos de Inteligência Artificial, análises e insights, por exemplo.

Para isso, a Privacy-Enhancing Computation garante a segurança e proteção da privacidade no processamento de dados pessoais em ambientes não confiáveis, o que é cada vez mais importante devido às crescentes preocupações dos consumidores.

Uma pesquisa recente mostra que 79% das pessoas ficam receosas com a forma como as empresas usam dados coletados sobre elas, como endereços de IPs por exemplo. Além disso, 52% afirmam que escolhem não usar um produto ou serviço por conta da forma como suas informações pessoais poderiam ser coletadas.

Portanto, a Privacy-Enhancing Computation é uma tecnologia centrada no usuário e voltada para a proteção de dados enquanto eles estão em uso. Para isso, é composta por três pilares:

Infográfico mostra os três pilares da Privacy-Enhancing Computation (ou Computação Confidencial): processamento e análise de dados descentralizada, ambiente confiável, criptografia de dados e algoritmos. Essa é uma das tendências de telecom e TI para 2022
Infográfico: três pilares da Privacy-Enhancing Computation (ou Computação Confidencial)

Entenda como funciona:

O relatório mostra o caso do DeliverFund, uma organização sem fins lucrativos com sede nos EUA, que combate o tráfico de pessoas e utiliza técnicas de PEC em suas plataformas. Através da criptografia homomórfica, é possível utilizar dados criptografados sem a necessidade de descriptografá-los, minimizando o risco de exposição das informações.

Dessa forma, seus parceiros podem realizar consultas em seus bancos de dados extremamente confidenciais, sem a necessidade de expor dados pessoais ou regulamentados em qualquer momento.

7) Plataformas nativas em nuvem

As plataformas nativas em nuvem surgiram com o objetivo de potencializar as vantagens da cloud computing para impulsionar a produtividade no desenvolvimento de aplicativos, bem como reduzir os riscos na implantação e migração de sistemas.

Em geral, essas tarefas apresentam desafios como infraestrutura inadequada, práticas e processos ultrapassados, além de códigos antigos que atrasam o desenvolvimento de novas aplicações. Dessa maneira, os lançamentos não acontecem com a frequência ideal, exigem muito esforço de trabalho e os testes podem não ser adequados.

Portanto, as plataformas nativas em nuvem permitem aproveitar ao máximo um modelo de cloud computing para acelerar processos e aumentar a produtividade, precisão e eficiência dos desenvolvedores.

Assim as empresas conseguem lançar aplicativos inovadores de forma muito mais rápida, o que é essencial para os negócios na era digital. Afinal, o que hoje diferencia as empresas umas das outras são as suas aplicações. São elas que abrem caminho para novos serviços, novas fontes de receita e ajudam na expansão de mercado.

Para isso, as plataformas nativas em nuvem usam a flexibilidade e escalabilidade da computação em nuvem, seguindo princípios modernos de arquitetura de aplicativos, o que reduz a dependência de infraestruturas e libera tempo para se concentrar no desenvolvimento das funcionalidades dos programas.

Assim, o desenvolvimento de aplicativos através de plataformas nativas em nuvem combina uma abordagem arquitetônica modular (como microsserviços), uma infraestrutura moderna baseada em containers e em APIs, bem como o conceito de plataforma como serviço (PaaS).

Todos esses serviços possuem conexões isoladas. Desse jeito, os desenvolvedores podem fazer alterações frequentemente, sem afetar outras partes do aplicativo ou projetos de outras equipes, em diferentes plataformas, incluindo implantações nas mais diversas nuvens públicas ou privadas.

O desenvolvimento de apps através de plataformas nativas em nuvem abriga o conceito de plataforma como serviço (PaaS). Ou seja, são plataformas que oferecem aos usuários todos os recursos de software e hardware necessários para o desenvolvimento de um site ou aplicativo.

Logomarca dos principais players do mercado de Plataforma como Serviço (PaaS): AWS, Salesforce, Cloud Foundry, Microsoft Azure e Google Cloud Function. Essa é uma das tendências de telecom e TI para 2022
Principais players do mercado de Plataforma como Serviço (PaaS)

Leia mais: Cloud computing: o futuro da TI

8) Decision Intelligence ou Inteligência de Decisão

Em um cenário onde as mudanças ocorrem cada vez mais rápido, a tomada de decisões é influenciada pelas mais diversas experiências e ângulos e precisa ser feita de forma ágil.

Por isso, a Decision Intelligence é uma tendência em ascensão que representa uma abordagem prática para o seu aprimoramento.

Isso inclui a automação por meio de análises aumentadas, que trabalham com Inteligência Artificial e Machine Learning para informar, aprender e refinar as decisões.

Dessa forma, a Inteligência de Decisão amplia a capacidade humana de interagir e contextualizar os dados, assim como oferece uma estrutura para adoção das melhores práticas na tomada de decisão nas empresas e processos para aplicar o Machine Learning em escala.

A previsão do relatório da consultoria Gartner é que em 2023, mais de 1/3 das grandes organizações terão analistas praticando inteligência de decisão.

9) Hiperautomação

Com a pandemia, as empresas constataram que o foco em crescimento, digitalização e maior eficiência exige a ampliação e melhoria de qualidade na automação de tarefas.

Por essa razão, a Hiperautomação desponta como uma das tendências mais fortes de telecom e TI para os próximos anos.

Isso porque ela representa uma abordagem disciplinada e orientada para identificar, examinar e automatizar rapidamente o maior número possível de processos de negócios e TI.

Para isso, a Hiperautomação inclui o uso orquestrado de diversos tipos de tecnologias, ferramentas ou plataformas, como por exemplo:

  • Inteligência Artificial (IA);
  • Machine Learning;
  • Automação de processos robóticos (RPA);
  • Ferramentas low code/no code, que permitem que pessoas sem conhecimento de programação consigam desenvolver produtos, como um website, jogos ou aplicativos.

O objetivo da Hiperautomação é envolver todos setores em uma empresa no uso dessas ferramentas e assim permitir a automação de praticamente qualquer tarefa repetitiva executada na operação de negócios.

Isso inclui processos de negócios mais sofisticados, que exigiam a interferência de especialistas, fazendo assim da Hiperautomação uma ferramenta poderosa para a transformação digital das empresas, incluindo a automação onde ela nunca foi possível antes, como nos processos não documentados que dependem da entrada de dados não estruturados.

Leia mais: Como a automação de processos facilita a gestão de telecom

10) Distributed Enterprise ou Empresa Distribuída

Segundo o relatório da Gartner, em 2023, 75% das empresas que exploram o modelo Distributed Enterprise terão um crescimento de receita 25% mais rápido do que os concorrentes que não o fazem.

Isso porque, a Distributed Enterprise envolve uma série de tecnologias de apoio para que a gestão de TI forneça todo o suporte às equipes distribuídas em trabalho remoto durante a pandemia e facilite o modelo híbrido que crescerá no “novo normal”.

Os exemplos de tecnologias de Distributed Enterprise incluem espaços de trabalho habilitados para nuvem, ferramentas de colaboração e monitoramento para a força de trabalho híbrida, novas ofertas de suporte remoto e modelos de segurança digital.

A grande dica para os negócios que querem implementar o modelo de Distributed Enterprise é adotar dois princípios básicos:

1) Digital first

Esse é um modelo de cultura organizacional que tem como principal objetivo priorizar o uso de serviços digitais em vez dos tradicionais.

2) Remote first

Já esse modelo representa uma verdadeira cultura híbrida de trabalho. Sua característica principal é que todas as decisões e processos da empresa acontecem online. Ou seja, o escritório e outros locais de atividade presencial são apenas mais um possível espaço de trabalho, não mais o palco exclusivo de todas as interações.

11) Total Experience (TX) ou Experiência Total

O Total Experience ou Experiência Total é uma evolução do conceito da experiência do usuário que envolve o suporte e atendimento a todos os envolvidos em todos os pontos de contato na jornada de relacionamento dos clientes com as empresas, tanto no ambiente digital quanto no físico.

Leia mais: O que é omnichannel

Para promover uma experiência mais completa e satisfatória para todas as partes interessadas, a Total Experience une o poder de quatro estratégias fundamentais: EX ou Employee Experience (experiência do funcionário), Experiência do cliente (CX), Experiência do usuário (UX) e Multiexperiência, que representa as várias formas de interação em todos os pontos de contato para acelerar o crescimento dos negócios.

4 estratégias fundamentais da Total Experience
Infográfico: 4 estratégias fundamentais da Total Experience

Segundo a Gartner, a Total Experience deve se tornar o ponto crucial para as empresas que buscam se recuperar dos impactos da pandemia em seus negócios. Isso significa que elas devem procurar se diferenciar por meio de experiências inovadoras como forma de manter a sua competitividade e sustentabilidade.

No atendimento ao cliente, uma das soluções que vem ganhando cada vez mais força são os chatbots, robôs que automatizam a comunicação entre marcas e consumidores. De acordo com um levantamento, a quantidade de robôs de conversação em atividade no Brasil praticamente dobrou entre 2020 e 2021, passando de 24 mil para 47 mil. A expectativa é que, para os próximos anos, os bots continuem sendo utilizados – não só para o atendimento ao cliente, mas também para realizar todo o processo de vendas.

Mas além de aperfeiçoar o relacionamento com o cliente, outra vantagem importante da Total Experience é uma maior integração e colaboração entre as equipes da empresa, garantindo também a melhoria da EX e UX.

Isso gera maior satisfação para os funcionários, que se reflete em uma experiência do cliente aprimorada por meio de um atendimento melhor e mais qualidade nos produtos e serviços.

Por esses motivos, a Total Experience não é simplesmente um setor da empresa, mas sim uma nova cultura que deve se espalhar por todas as áreas, todos os processos, sejam internos ou externos. Essa é única forma de entregar uma experiência do cliente coesa, ágil e satisfatória, gerando mais conversão, retenção e fidelização.

​​12) Metaverso

O metaverso deve ser uma das grandes tendências para 2022. Ele é um ambiente virtual imersivo composto por representações digitais de pessoas, lugares e coisas, com um grande potencial para transformar a forma como interagimos, nos divertimos, nos conectamos com amigos e fazemos negócios.

A palavra surgiu em 1992, criada pelo escritor de ficção científica Neal Stephenson em sua obra Snow Crash, que apresentava a ideia de um mundo virtual centralizado, com existência paralela ao mundo físico.

Hoje, o que era apenas um conceito de nicho apreciado por entusiastas da tecnologia, está dando os primeiros passos para se tornar um universo formado por comunidades ou mundos virtuais interconectados, onde avatares de indivíduos podem interagir.

Para entrar no metaverso, as pessoas precisam utilizar dispositivos e tecnologias como óculos VR, realidade virtual e realidade aumentada, ou apenas a tela de smartphones e computadores.

No GIF ilustrativo, Mark Zuckerberg mostra alguns detalhes sobre o metaverso, uma das tendências de telecom e TI para 2022
Fonte: Meta

Em outubro de 2021, o Facebook anunciou a troca do nome da empresa por trás das suas redes sociais (Facebook, Instagram e WhatsApp) para Meta. Mais do que uma reação às recentes polêmicas e acusações que a plataforma enfrenta, essa mudança faz parte da estratégia da companhia para criar o seu metaverso.

A notícia impulsionou ainda mais o mercado de ativos digitais, onde já existem alguns outros metaversos como o The Sandbox, que lidera o mercado atualmente. Segundo dados do site DappRadar, em apenas 7 dias essa plataforma movimentou US$ 86,5 milhões através da venda de terrenos virtuais.

Todas essas negociações acontecem por meio dos NFTs, ou tokens não fungíveis, ativos digitais que certificam a posse de um determinado terreno virtual no The Sandbox ou em outros metaversos como a Decentraland, Somnium Space e CryptoVoxels.

Juntas essas plataformas movimentaram em apenas uma semana mais de US $100 milhões. Ou seja, nunca se arrecadou tanto com projetos de metaverso e cada vez mais empresas estão comprando terrenos virtuais para marcar presença nesse novo tipo de ambiente digital.

Isso porque, além de ser uma ótima oportunidade de investimento em NFTs, a compra de espaços nos metaversos permite que empresas gerem mais renda a partir do uso desses terrenos virtuais de inúmeras formas para a divulgação de produtos e serviços, como os eventos virtuais, por exemplo.

Conclusão

As tendências de telecom e TI para 2022 mostram como o setor deve continuar sendo o protagonista na transformação digital, com uma mudança estrutural onde a gestão de TI deve deixar de ser simplesmente operacional, para assumir um lugar estratégico na criação de insights e inteligência de negócios.

Essa é a maneira mais simples e rápida de acelerar a digitalização e a inovação nas empresas, para enfrentar com sucesso a realidade imposta pela pandemia.

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Ulysses Dutra


Redator, jornalista e músico, aficionado por tecnologia & inovação, geopolítica e rock’n’roll/blues/funk/reggae/samba/soul

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