Em 2022, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tornou obrigatório o uso do código 0303 para empresas que realizam telemarketing ativo. A ação, segundo a Agência, tinha como objetivo dar autonomia ao consumidor ao permitir que ele reconhecesse o motivo da ligação e, assim, escolhesse atender ou não. Porém, em agosto de 2025, a obrigatoriedade foi revogada. Mas isso não significa que outras medidas contra telemarketing abusivo, robocall e spoofing não estejam sendo implementadas, como é o caso do Origem Verificada.
De acordo com a Anatel, essa solução é ainda mais eficaz que o prefixo 0303. Até porque ela é bem mais completa: além de identificar que a chamada vem de um serviço de telemarketing, ela garante a origem da ligação. Isso porque checa, em tempo real, se o número exibido corresponde, de fato, à empresa que está ligando. Mas, por trás da tecnologia, existe um grande mecanismo que opera para garantir essa transparência ao consumidor.
Veja um resumo do que você aprenderá neste artigo:
Assim que o celular toca, você pode ver o nome da empresa, um selo de autenticação e, em alguns casos, o motivo do contato. De modo superficial, é essa a função do Origem Verificada, solução desenvolvida pelas operadoras de telecom junto à Anatel em 2019 e que, apenas no período de testes, autenticou mais de 13 bilhões de chamadas.
Com o sucesso desse período experimental, foi dado, então, um novo passo: o da obrigatoriedade. Em abril deste ano (2025), o Conselho Diretor da Anatel determinou, na Resolução nº 777, que, dentro de 3 anos, essa tecnologia deverá ser adotada por todas as operadoras de telefonia com o intuito de diminuir drasticamente o volume de ligações indesejadas.
Até o momento, a adoção era voluntária e os custos da operação ficavam a cargo da Associação Brasileira de Recursos em Telecomunicações (ABR Telecom) ― até junho deste ano, 52 operadoras já tinham aderido à solução, incluindo Vivo, Claro, Oi e Tim. A partir de 2028, essas despesas serão compartilhadas entre as empresas de telefonia. Outro ponto importante é que até mesmo as chamadas realizadas por pessoas físicas deverão ser identificadas ― ainda que quem receba a ligação não tenha o número gravado em sua agenda.
As informações exibidas mudam de acordo com o sistema operacional. Em aparelhos antigos (3G ou 2G), apenas o número será mostrado no visor.
Em resumo, o Origem Verificada trabalha em duas frentes: a autenticação e a identificação. Na primeira, garante que o número que está ligando é, de fato, de quem alega ser ― e isso impede o uso de números falsos ou clonados (spoofing). Já na segunda, apresenta visualmente ao consumidor os dados mais importantes da chamada: o nome da empresa, sua logomarca, o motivo da ligação e o selo de autenticação.
Embora o código 0303 tenha reduzido o número de chamadas inoportunas (de acordo com a Anatel, foram mais de 178 bilhões entre 2022 e 2024), existiram alguns motivos que contribuíram para que a sua obrigatoriedade fosse revogada. O primeiro deles é que o prefixo não teve impacto sobre o spoofing, tática utilizada por fraudadores e golpistas.
Ainda, criou um estigma negativo em relação às chamadas realizadas por telemarketing, uma vez que não separava as ligações legítimas e importantes (como lembretes de renovação de contratos ou ofertas personalizadas, por exemplo) daquelas realizadas por robôs e que duram poucos segundos.
Vistas essas dificuldades, foi necessário pensar em outra solução e é aqui que entra a tecnologia Stir Shaken, que é o pilar do Origem Verificada. Para entender como esse protocolo funciona, saber o que as siglas significam é um bom ponto de partida.
Stir é uma sigla que significa Secure Telephony Identity Revisited, ou, em português, Identidade Segura de Telefonia Revisitada. Esse protocolo serve para identificar o chamador. Mas isso não acontece apenas no início e no fim da ligação, mas também em diferentes pontos da chamada. Dessa forma, mesmo que haja transferência para outras linhas, a identificação não se perde. Essa tecnologia foi desenvolvida pensando em mitigar ligações ilegais por meio de VoIP — voz sobre IP.
Já o Shaken, abrevia um significado bastante extenso: Signature-based Handling of Asserted information using tokens (em tradução simples, Manipulação Baseada em Assinatura de Informações Declaradas Usando ToKENs). Embora o nome dê a entender um protocolo complexo, na verdade, o Shaken funciona, basicamente, igual ao Stir. A diferença é que ele é voltado para ligações que utilizam linhas telefônicas, não VoIP.
O Origem Verificada, como você leu, já está disponível para contratação. Nesse primeiro momento, a Anatel obriga a autenticação de grandes chamadores, aqueles que realizam mais de 500 mil ligações/mês, sendo que a identificação segue facultativa. Quem oferece o serviço são as operadoras de telecom e, para quem recebe a chamada, não há custo algum. Mas será que vale a pena para a sua empresa aderir mesmo que ainda não seja obrigatório e seu volume de chamadas não atinja o determinado pela Agência?
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A resposta é sim e temos bons motivos para justificá-la. O primeiro deles é que aderir ao protocolo Stir Shaken é apenas questão de tempo ― como mencionado anteriormente, até 2028, todas as chamadas deverão ser autenticadas. Ou seja, em algum momento isso precisará acontecer e, quanto antes, melhor. Isso porque, enquanto a adesão é voluntária, os custos costumam ser menores que nos momentos em que todos estarão correndo para se adequar à norma.
Outro ponto importante para a sua empresa é que o Origem Verificada aumenta as chances de sucesso na tentativa de contato. Com 0303, o consumidor sabia apenas que aquela ligação se tratava de um telemarketing ativo, sem informar a empresa de origem. Dessa forma, chamadas importantes acabavam sendo recusadas. Já o Origem Verificada avisa de antemão ao cliente quem está ligando e, até mesmo, qual o motivo do contato.
Consequentemente, a imagem da empresa também sai ganhando. Afinal, fraudadores costumam se valer de nomes importantes, como os de instituições financeiras, para aplicar golpes. Quem recebia a ligação não conseguia ter certeza se aquele número era, de fato, de quem dizia ser. Agora, com o Origem Verificada, as fraudes são dificultadas, uma vez que o selo exibido assegura o vínculo daquele número com a empresa.
Agora que você entendeu o que é e quais os benefícios de aderir ao Origem Verificada, confira o passo a passo para dar o start na autenticação e identificação das chamadas da sua empresa.
Primeiramente, acesse o site https://origemverificada.com.br/. Assim que estiver na página, o próximo passo é firmar os termos de Acesso e Uso, bem como os de Solicitação de Acesso ao Portal AIA (Autoridade de Identificação e Autenticação), que é a entidade responsável pela gestão do ecossistema técnico de autenticação e identificação de chamadas. Por fim, se você for um novo usuário, basta escolher a opção “Iniciar credenciamento” para dar continuidade ao processo.
Na próxima página, você informará o CNPJ da empresa.
Após inserir o CNPJ, você direcionado a uma nova tela para o preenchimento dos dados cadastrais da empresa, dos representantes legais, informações sobre faturamento, além dos dados do representante a ser designado como usuário master.
⚠️ Importante: os documentos serão aceitos apenas nas extensões PDF e .ZIP.
A ABR Telecom responderá à solicitação em até 5 dias úteis. Após a análise, o usuário master receberá um e-mail comunicando o resultado da solicitação de cadastramento.
Caso exista alguma pendência na documentação ou no preenchimento do formulário, o e-mail da ABR Telecom irá conter os dados de login, senha e o detalhamento das pendências identificadas. O usuário master deverá acessar o sistema, que irá redirecioná-lo para o formulário de cadastramento e efetuar as alterações necessárias para submetê-las novamente à avaliação.
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Nesse primeiro momento, a Anatel obriga a autenticação de chamadores que realizam mais de 500 mil ligações/mês. Entretanto, a Resolução nº 777, de 28 de maio de 2025 estabelece a obrigatoriedade de autenticação para todas as chamadas no país no prazo de 3 (três) anos, com aplicação progressiva.
A autenticação, que passa a ser obrigatória, é o processo técnico de validação do número de origem da chamada e confirma que ele está vinculado à empresa que tenta o contato. A identificação, por sua vez, dá ao consumidor mais informações sobre a ligação ― incluindo o motivo da chamada ―, porém, esse aspecto segue voluntário.
Com a autenticação e identificação de chamadas as chances de ter um contato bem-sucedido com o consumidor aumentam significativamente. Além disso, a solução protege a imagem corporativa ao garantir que os usuários consigam identificar fraudes que utilizam o nome de empresas idôneas.
Sim. O custo do serviço é acordado entre a empresa (usuário chamador) e a prestadora de telecomunicações contratada. Para quem recebe a chamada o serviço é totalmente gratuito.
Não. Para ter acesso a essas informações, o usuário precisa ter smartphone compatível com redes 4G ou 5G, estar com a função VoLTE ativada (aparelhos modernos já têm essa função habilitada por padrão) e usar o sistema Android ou iOS atualizado. Aparelhos antigos (3G ou 2G) mostrarão apenas o número do chamador.
Por
Rafael Cordeiro
Líder Técnico e sócio da VC-X Solutions com 10 anos de experiência na área de Telecom. Tenho amplo conhecimento em processos legais e burocráticos que envolvem as operadoras, a partir da experiência que adquiri no gerenciamento de conflitos com as operadoras de telefonia fixa e móvel, bem como com os órgãos de defesa de consumidor (Procon/Anatel).