Legislação

Conectividade nas rodovias: entenda o plano para expansão do 4G e 5G

Por Daniel Curi | 13.04.26
Capa do artigo "Conectividade nas rodovias: entenda o plano para expansão do 4G e 5G". Ilustração de uma rodovia noturna onde carros e caminhões estão conectados a torres de telecomunicação por feixes de luz, simbolizando a infraestrutura de internet móvel e a comunicação inteligente entre veículos.

O transporte rodoviário de cargas é, indiscutivelmente, o modal mais importante do país. Afinal, é pelas estradas que mais de 60% das mercadorias que circulam pelo Brasil são transportadas. Para se ter uma ideia do quão vital é esse mercado para a economia, basta olhar para os números do segundo modelo mais utilizado, o ferroviário: somente 19%. Diante desse cenário, o Governo Federal propôs uma medida com objetivo de melhorar a conectividade nas rodovias.

Com expectativa de implementação ainda para 2026, a Política Nacional de Conectividade em Rodovias pretende ampliar o serviço 4G e 5G dos atuais 24 mil km para cerca de 45 mil km por operadora. Tendo em vista o desligamento do 2G e 3G, que acontecerá até 2028, não é à toa que o Governo trata o assunto com urgência. 

Conectividade nas rodovias: conheça a iniciativa que visa expandir o sinal 4G e 5G nas estradas

Em 7 de agosto de 2025, o Governo Federal abriu uma consulta pública que trata da instituição da Política Nacional de Conectividade em Rodovias, proposta pelo Ministério das Comunicações (MCom). Essa não foi a primeira atitude do Ministério a fim de fomentar a conectividade nas rodovias. 

Em julho daquele mesmo ano, o MCom publicou a Portaria nº 18.902/2025. Nela foram estabelecidas as diretrizes voltadas ao leilão da faixa de 700MHz, que inclui a cobertura integral das rodovias BR 101, BR 116, BR 163, BR 242 e BR 364. 

A consulta pública sobre Política Nacional de Conectividade em Rodovias recebeu 76 contribuições e encerrou no dia 22 de outubro. A princípio, o Governo esperava publicar o documento até o dia 5 de dezembro de 2025. Todavia, o prazo se estendeu e, agora, a previsão é que isso ocorra em março de 2026.

Entenda como o Governo quer viabilizar a maior conectividade nas rodovias

A nova política para conectividade nas estradas visa expandir o 4G e tecnologias superiores de duas formas. A primeira é levar sinal a áreas ainda sem cobertura. A segunda é assegurar que os usuários tenham acesso contínuo ao serviço, mesmo fora da área de alcance da operadora contratada. Quanto à última, existe um desafio que o Governo pretende superar ainda em 2026: a cobertura desigual entre as operadoras. Hoje, a TIM cobre 39,6% das rodovias, a Claro, 39,25% e a Vivo, 34,8%. Para isso, busca-se fazer com que as operadoras compartilhem a infraestrutura entre si no chamado “regime de itinerância” (roaming).

Leia também: Fim do roaming no Mercosul: a isenção de cobrança já está valendo?

De acordo com o ministro das Comunicações, Frederico Siqueira, nos casos em que não houver concessão, o setor de telecomunicações ficará responsável por levar infraestrutura de conectividade às rodovias.

Panorama da conectividade nas rodovias: como está a cobertura 4G e 5G hoje?

É inegável que o 5G ainda precisa evoluir muito em termos de conectividade nas rodovias. Atualmente, apenas 10,7% dos 112.354 km de rodovias federais possuem cobertura 5G. Entretanto, o cenário muda quando nos referimos à tecnologia anterior, o 4G. Esta já cobre mais de 53,2% da malha rodoviária.

Gráfico comparativo da conectividade nas rodovias federais e estaduais por tecnologia de rede. A cobertura 4G é a mais ampla, atingindo 53,2% nas vias federais e 50,7 nas estaduais, seguida pelo 3G (52% e 50,9%) e 2G (47,8% e 45,1%). O 5G ainda tem a menor presença, com apenas 10,7% de alcance nas rodovias federais e 8,9% nas estaduais.
Cobertura nas rodovias federais por tecnologia, considerando todas as operadoras. Fonte: Anatel.

Embora possa parecer que a cobertura 4G e 5G esteja avançando, não se pode ignorar a disparidade entre os estados. O Distrito Federal, por exemplo, é o líder de cobertura 4G, com mais de 92% da malha coberta pelo sinal. São Paulo, o estado vice-líder, tem mais de 88%. Enquanto isso, no Amazonas, apenas 5% das rodovias federais acessam essa tecnologia.

Gráfico de barras detalhando a expansão da cobertura 4G nas rodovias federais dividida por estado. Distrito Federal e São Paulo lideram com os maiores índices de conectividade, alcançando 92,2% e 88,1% respectivamente, enquanto o Amazonas tem a menor cobertura com 5%
Cobertura 4G nas rodovias federais por estado, considerando todas as operadoras. Fonte: Anatel.

Em relação ao 5G, a discrepância fica ainda mais evidente. Considerando os estados citados anteriormente, o DF apresenta 56,3% das rodovias cobertas por 5G. São Paulo, 29,5%. O Amazonas, estado mais deficitário de conectividade nas rodovias, apenas 0,8%.

Gráfico de barras detalhando a expansão da cobertura 4G nas rodovias federais dividida por estado. Distrito Federal e São Paulo lideram com os maiores índices de conectividade, alcançando 92,2% e 88,1% respectivamente, enquanto o Amazonas tem a menor cobertura com 5%
Cobertura 5G nas rodovias federais por estado, considerando todas as operadoras. Fonte: Anatel.

Desligamento do 2G e 3G: outra pauta importante na conectividade das rodovias

Desde abril de 2025, a Anatel deixou de certificar dispositivos que funcionam exclusivamente em redes dessas gerações de Internet móvel. A medida, imposta pelo Ato nº 14430, busca garantir uma transição estruturada, visto que as redes 2G e 3G serão desligadas até 2028.

Essa, que é uma tendência global, visa liberar faixas sub 1 GHz para a alocação do 5G. Ainda que haja tempo de operação, as operadoras já deixaram de priorizar as redes 2G e 3G e têm alocado recursos na extensão do 4G e 5G. 

A migração afeta diretamente os setores de transporte e logística, que dependem quase que exclusivamente de tecnologias mais antigas. Em contrapartida, com o desligamento, a tendência é que a cobertura 4G e 5G expanda significativamente.

Para entender essa transição e saber como agir, confira o artigo “Desligamento do 2G e 3G Sua empresa está preparada?”. Nele você encontra as questões regulatórias que norteiam o tema e confere um checklist essencial para fazer as mudanças de maneira fluida e sem grandes impactos, sejam eles financeiros ou operacionais.

FAQ (Perguntas frequentes)

É uma iniciativa do Governo Federal que pretende ampliar a cobertura 4G e 5G nas rodovias federais brasileiras, levando sinal a trechos sem cobertura e garantindo conexão contínua aos usuários.

Porque o transporte rodoviário movimenta mais de 60% das cargas do país e depende de conexão estável para rastreamento, telemetria, comunicação e segurança operacional.

Hoje, o 4G cobre mais de 51% da malha rodoviária federal, com grandes diferenças entre os estados. Enquanto isso, o 5G ainda é bastante limitado: apenas 9,2%.

O desligamento, previsto até 2028, deve liberar frequências para o 4G e 5G, aumentando a cobertura e a qualidade da conexão. Contudo, exige a atualização de dispositivos antigos.

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Daniel Curi


Especialista em gestão de Telecom e TI com mais de 10 anos de experiência no setor. Tenho liderado inúmeros projetos voltados a automações nessa área, otimizando processos, trazendo eficiência operacional e ganho de tempo, permitindo que as equipes se concentrem nas atividades estratégicas da organização.

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