Legislação

Desligamento do 2G e 3G: sua empresa está preparada?

Por Daniel Curi | 24.03.26
Capa de artigo com o texto "Desligamento do 2G e 3G: sua empresa está preparada?'" Ao lado, a ilustração de uma mão translúcida desconectando um plugue de energia a uma torre de telecomunicações, sobre um fundo azul escuro com linhas digitais coloridas.

Como adiantamos no artigo “4 Tendências de telecom para 2026”, o desligamento do 2G e 3G está acontecendo. Desde abril de 2025, a Anatel deixou de certificar dispositivos que funcionam exclusivamente em redes dessas gerações de Internet móvel, medida imposta pelo Ato nº 14430. Essa determinação não é exclusividade brasileira, uma vez que o encerramento dessas redes é uma tendência global.

Leia e conheça “As 5 gerações da internet móvel

Porém, uma mudança desse porte sempre desperta dúvidas. De que modo isso impactará minha empresa? Como me preparar para o desligamento total? São essas algumas das perguntas que responderemos ao longo deste artigo. Acompanhe e saiba o que esperar!

Por que as redes 2G e 3G estão sendo desligadas?

O objetivo do desligamento do 2G e 3G é despressurizar as redes e liberar faixas sub 1 GHz para a alocação do 5G. Ainda que haja tempo de operação, as operadoras já deixaram de priorizar as redes 2G e 3G e têm alocado recursos na extensão das redes 4G e 5G. 

Essa ação, também chamada de Sunset, acontecerá de maneira gradual. O prazo para o desligamento total é 2028, mas o fato é que algumas áreas de sombra ― locais onde o sinal é fraco ou inexistente ― já se tornaram uma realidade, especialmente em relação ao 2G.

Como mencionamos no início, desde 6 de abril de 2025, a Anatel não concede mais a certificação a dispositivos compatíveis apenas com tecnologias 3G ou inferiores. Contudo, o que acontece com aqueles aparelhos que já foram homologados e estão em estoque? Bem, eles ainda podem ser comercializados até o fim do prazo para o desligamento, ou seja, 2028.

Qual a situação atual da cobertura 2G e 3G? 

Embora a tecnologia 4G esteja presente em grande parte do país, é inegável que existem disparidades entre os estados. Enquanto em São Paulo e Distrito Federal lideram com, respectivamente, 99,24% e 99,75% de moradores cobertos por esta tecnologia, no Acre esse percentual cai para somente 77,96%. Porém, com o desligamento do 2G e 3G, a cobertura do 4G e do 5G deve expandir rapidamente.

Panorama da cobertura 2G em 12/2025

  • Área coberta: 14,77%
  • Área coberta urbana: 88,84%
  • Área coberta rural: 13,96
  • Municípios com cobertura: 480

Panorama da cobertura 3G em 12/2025

  • Área coberta: 17,88%
  • Área coberta urbana: 89,31%
  • Área coberta rural: 17,11%
  • Municípios com cobertura: 478

Panorama da cobertura 4G em 12/2025

  • Área coberta: 18,89%
  • Área coberta urbana: 91,25%
  • Área coberta rural: 18,11%
  • Municípios com cobertura: 483

Panorama da cobertura 5G em 12/2025

  • Área coberta: 1,19%
  • Área coberta urbana: 52,97%
  • Área coberta rural: 0,63%
  • Municípios com cobertura: 200

Com a liberação das faixas e as operadoras direcionando seus investimentos ao 4G e 5G, a adesão a essas tecnologias tende a avançar rapidamente. Prova disso é que a cobertura do 5G, cuja meta era de 57,67% de cobertura em 2027, já foi batida

Como o desligamento do 2G e 3G impactará o seu negócio? 

A palavra de ordem, nesse momento, é planejamento. Setores como o de monitoramento veicular e de terminais de pagamento (as famosas maquininhas de cartão) sentirão impactos maiores, visto que dependem exclusivamente dessas redes. Logo, devem, desde então, elaborar um plano de transição para tecnologias tal qual o 4G. 

No caso dos meios de pagamento, projeções estimam que a substituição dos aparelhos pode chegar à casa dos R$ 7 bilhões. Enquanto isso, a migração do setor de rastreamento prevê um custo de R$ 3,4 bilhões.

Ainda que seu negócio não atue nesses setores, será difícil não encontrar quem não precisará se adaptar. As empresas devem encarar a substituição dos aparelhos como uma realidade, uma vez que o prazo para desligamento do 2G e 3G é considerado, mesmo entre os grandes players, bastante desafiador.

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Checklist: veja como preparar sua empresa para o Sunset? 

De fato, a transição do 2G e 3G para equipamentos compatíveis com 4G ou tecnologias superiores exigirá organização ― especialmente, financeira ― da sua empresa. Pensando em tornar essa migração mais ordenada e menos custosa, elaboramos um checklist que irá ajudá-lo. Confira abaixo:

Inventário completo

  • Saiba, com exatidão, todos os dispositivos que operam nas redes 2G e 3G, dentre eles:
    • celulares corporativos;
    • dispositivos M2M;
    • roteadores;
    • modens.
  • Mapeie, também, locais onde a cobertura 4G e 5G ainda não é total e que podem precisar de reforços.

Análise do impacto operacional

  • Verifique se será necessária a troca de SIM Card nos dispositivos.
  • Priorize aqueles que atuam em áreas onde as redes 2G e 3G já estejam sendo desligadas.

Atualizações de infraestrutura e hardware

  • Revise, minuciosamente, os seus contratos junto aos fornecedores de tecnologia.
  • Substitua os dispositivos que funcionam exclusivamente em redes 2G ou 3G.
  • Modernize sua infraestrutura de TI para suportar as novas tecnologias.
  • Atualize o firmware de dispositivos habilitados para 4G/5G.

✅ Desenvolvimento do plano de migração

  • Crie um cronograma detalhado, com etapas e prazos definidos. Inclua fases de teste e revisão.
  • Treine a equipe a fim de que a migração seja a mais fluida possível.
  • Monitore continuamente e faça ajustes sempre que necessário.

Como toda mudança no setor, o desligamento do 2G e 3G pode representar um grande desafio para a gestão. Entretanto, antecipar-se é uma maneira de fazer a transição de maneira ordenada e que não ponha em risco as operações.

FAQ (Perguntas frequentes)

Porque são tecnologias antigas, com menor eficiência. Ao desligá-las, as operadoras liberam espectro na faixa sub-1 GHz para expandir o 5G e melhorar a qualidade do 4G.

O cronograma prevê a desativação completa até 2028, mas a redução de cobertura já está acontecendo em várias regiões, especialmente no 2G.

Criar um plano de transição com cronograma, priorizar áreas já afetadas, testar os novos dispositivos, monitorar o desempenho e ajustar o processo continuamente para evitar interrupções.

Os dispositivos que operam somente em 2G/3G deverão ser substituídos por modelos compatíveis com 4G ou superior. Alguns equipamentos podem exigir apenas troca de SIM ou atualização de firmware.

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Daniel Curi


Especialista em gestão de Telecom e TI com mais de 10 anos de experiência no setor. Tenho liderado inúmeros projetos voltados a automações nessa área, otimizando processos, trazendo eficiência operacional e ganho de tempo, permitindo que as equipes se concentrem nas atividades estratégicas da organização.

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