Como adiantamos no artigo “4 Tendências de telecom para 2026”, o desligamento do 2G e 3G está acontecendo. Desde abril de 2025, a Anatel deixou de certificar dispositivos que funcionam exclusivamente em redes dessas gerações de Internet móvel, medida imposta pelo Ato nº 14430. Essa determinação não é exclusividade brasileira, uma vez que o encerramento dessas redes é uma tendência global.
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Porém, uma mudança desse porte sempre desperta dúvidas. De que modo isso impactará minha empresa? Como me preparar para o desligamento total? São essas algumas das perguntas que responderemos ao longo deste artigo. Acompanhe e saiba o que esperar!
O objetivo do desligamento do 2G e 3G é despressurizar as redes e liberar faixas sub 1 GHz para a alocação do 5G. Ainda que haja tempo de operação, as operadoras já deixaram de priorizar as redes 2G e 3G e têm alocado recursos na extensão das redes 4G e 5G.
Essa ação, também chamada de Sunset, acontecerá de maneira gradual. O prazo para o desligamento total é 2028, mas o fato é que algumas áreas de sombra ― locais onde o sinal é fraco ou inexistente ― já se tornaram uma realidade, especialmente em relação ao 2G.
Como mencionamos no início, desde 6 de abril de 2025, a Anatel não concede mais a certificação a dispositivos compatíveis apenas com tecnologias 3G ou inferiores. Contudo, o que acontece com aqueles aparelhos que já foram homologados e estão em estoque? Bem, eles ainda podem ser comercializados até o fim do prazo para o desligamento, ou seja, 2028.
Embora a tecnologia 4G esteja presente em grande parte do país, é inegável que existem disparidades entre os estados. Enquanto em São Paulo e Distrito Federal lideram com, respectivamente, 99,24% e 99,75% de moradores cobertos por esta tecnologia, no Acre esse percentual cai para somente 77,96%. Porém, com o desligamento do 2G e 3G, a cobertura do 4G e do 5G deve expandir rapidamente.
Com a liberação das faixas e as operadoras direcionando seus investimentos ao 4G e 5G, a adesão a essas tecnologias tende a avançar rapidamente. Prova disso é que a cobertura do 5G, cuja meta era de 57,67% de cobertura em 2027, já foi batida.
A palavra de ordem, nesse momento, é planejamento. Setores como o de monitoramento veicular e de terminais de pagamento (as famosas maquininhas de cartão) sentirão impactos maiores, visto que dependem exclusivamente dessas redes. Logo, devem, desde então, elaborar um plano de transição para tecnologias tal qual o 4G.
No caso dos meios de pagamento, projeções estimam que a substituição dos aparelhos pode chegar à casa dos R$ 7 bilhões. Enquanto isso, a migração do setor de rastreamento prevê um custo de R$ 3,4 bilhões.
Ainda que seu negócio não atue nesses setores, será difícil não encontrar quem não precisará se adaptar. As empresas devem encarar a substituição dos aparelhos como uma realidade, uma vez que o prazo para desligamento do 2G e 3G é considerado, mesmo entre os grandes players, bastante desafiador.
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De fato, a transição do 2G e 3G para equipamentos compatíveis com 4G ou tecnologias superiores exigirá organização ― especialmente, financeira ― da sua empresa. Pensando em tornar essa migração mais ordenada e menos custosa, elaboramos um checklist que irá ajudá-lo. Confira abaixo:
✅ Inventário completo
✅ Análise do impacto operacional
✅ Atualizações de infraestrutura e hardware
✅ Desenvolvimento do plano de migração
Como toda mudança no setor, o desligamento do 2G e 3G pode representar um grande desafio para a gestão. Entretanto, antecipar-se é uma maneira de fazer a transição de maneira ordenada e que não ponha em risco as operações.
Porque são tecnologias antigas, com menor eficiência. Ao desligá-las, as operadoras liberam espectro na faixa sub-1 GHz para expandir o 5G e melhorar a qualidade do 4G.
O cronograma prevê a desativação completa até 2028, mas a redução de cobertura já está acontecendo em várias regiões, especialmente no 2G.
Criar um plano de transição com cronograma, priorizar áreas já afetadas, testar os novos dispositivos, monitorar o desempenho e ajustar o processo continuamente para evitar interrupções.
Os dispositivos que operam somente em 2G/3G deverão ser substituídos por modelos compatíveis com 4G ou superior. Alguns equipamentos podem exigir apenas troca de SIM ou atualização de firmware.
Por
Daniel Curi
Especialista em gestão de Telecom e TI com mais de 10 anos de experiência no setor. Tenho liderado inúmeros projetos voltados a automações nessa área, otimizando processos, trazendo eficiência operacional e ganho de tempo, permitindo que as equipes se concentrem nas atividades estratégicas da organização.